Dia desses fui acompanhar minha vó a sua sessão de fisioterapia, na hora em que estávamos saindo de lá, uma senhora nos acompanhou pelo caminho, logo de início fez o seguinte comentário "Tá vendo como são as coisas? Ridícula aquela mulher agarrada ao pescoço do homem, parecia uma macaca, dando beijo nele! Deixa pra fazer isso em casa, criatura! Que coisa feia! Meu Deus!" e mais um bocado de exageros. A tal da mulher só estava dando uns beijinhos na bochecha do condenado, uma vez ou outra na boca, aquilo nem podia ser chamado de selinho, mas foi o bastante pra fazer com que a senhora ficasse incrédula. E, claro, a incredulidade da senhora foi o bastante pra me deixar fruta da vida. Achei tudo aquilo uma tremenda bobagem.
Tudo bem que, considerando a idade da senhora, esse tipo de atitude não deveria ser comum em sua época, não deveria ser comum mesmo, mas esquecendo a senhora, não é difícil ver esse tipo de comentário saindo de bocas mais jovens. E sabe o que eu acho? Que alguns dos nossos conceitos são tão errados, tão controversos e nem nos damos conta disso, na maioria das vezes.
Não é fácil encarar o fato de que as pessoas julgam como normal o ódio expresso de umas pelas outras, enquanto que o afeto tem de ser camuflado, disfarçado, deixado pra se exibir somente em casa, entre quatro paredes e teto fechado, pra ninguém ver, porque é feio. É feio beijar alguém na rua e não dar a mínima pra os pensamentos alheios, é feio abraçar, é feio amar em público.
Todas essas declarações criativas e gigantescas, ou aquelas singelas flores acompanhadas de cartões, canções, textos, faixas, vídeos, cartas! Tudo tão besta, né? Ridículo!
Ainda que as armas tenham substituído o diálogo, ainda que estejamos mais familiarizados com a palavra "destruição" que com seu antônimo, ainda que exista tanto "ainda", "embora", "contudo", eu acredito, sabe? Acredito que ainda há algo de bom, mesmo estando entupida de razões, de fatos que contradigam tal opinião.
Porque sou uma ridícula.
E quando eu falei de amor, não me restringi somente aos casais, afinal o que seria da gente sem o amor às coisas, à vida, às pessoas, animais, amor de amigo, de mãe, pai, irmão, amor de amar, amor sem vergonha, amor orgulhoso, desinibido, amostrado, amor do tipo isso-é-o-mais-lindo-que-existe-me-invejem, amor que nos faz tão simples, tão nós, tão humanos.
Bora amar, sem medo de ser feliz, como se não houvesse amanhã. Sejamos ridículos, amemos o ridículo. Amemos! (E nos lasquemos, se for o caso, mas amemos de novo. E mais uma vez.)
Não é fácil encarar o fato de que as pessoas julgam como normal o ódio expresso de umas pelas outras, enquanto que o afeto tem de ser camuflado, disfarçado, deixado pra se exibir somente em casa, entre quatro paredes e teto fechado, pra ninguém ver, porque é feio. É feio beijar alguém na rua e não dar a mínima pra os pensamentos alheios, é feio abraçar, é feio amar em público.
Todas essas declarações criativas e gigantescas, ou aquelas singelas flores acompanhadas de cartões, canções, textos, faixas, vídeos, cartas! Tudo tão besta, né? Ridículo!
Ainda que as armas tenham substituído o diálogo, ainda que estejamos mais familiarizados com a palavra "destruição" que com seu antônimo, ainda que exista tanto "ainda", "embora", "contudo", eu acredito, sabe? Acredito que ainda há algo de bom, mesmo estando entupida de razões, de fatos que contradigam tal opinião. Porque sou uma ridícula.
E quando eu falei de amor, não me restringi somente aos casais, afinal o que seria da gente sem o amor às coisas, à vida, às pessoas, animais, amor de amigo, de mãe, pai, irmão, amor de amar, amor sem vergonha, amor orgulhoso, desinibido, amostrado, amor do tipo isso-é-o-mais-lindo-que-existe-me-invejem, amor que nos faz tão simples, tão nós, tão humanos.
Bora amar, sem medo de ser feliz, como se não houvesse amanhã. Sejamos ridículos, amemos o ridículo. Amemos! (E nos lasquemos, se for o caso, mas amemos de novo. E mais uma vez.)



















